O Elo de R$ 20 Milhões: PF aponta que empresa do ministro Dias Toffoli recebeu repasses de fundo ligado ao Banco Master após 2024

Relatório explosivo da Polícia Federal, entregue nesta quinta (12) ao STF, contradiz defesa do ministro; pagamentos milionários teriam continuado mesmo após suposta venda de resort. PF pede suspeição do magistrado.

O Elo de R$ 20 Milhões: PF aponta que empresa do ministro Dias Toffoli recebeu repasses de fundo ligado ao Banco Master após 2024
Imagem: STF

Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF), finalizado nesta quinta-feira (12), colocou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no centro do escândalo do Banco Master. O documento aponta que a empresa Maridt, da qual o ministro é sócio, recebeu mais de R$ 20 milhões de um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Master e principal investigado na Operação Compliance Zero.

O dado mais crítico levantado pelos peritos é temporal: os repasses ocorreram após 2024, contrariando a versão inicial de que as transações seriam referentes a negócios familiares encerrados em 2021.

Cronologia: De Juiz a Citado Para entender a gravidade da situação, é preciso voltar no tempo e conectar os pontos que ligam o gabinete do ministro ao cofre do banco investigado:

  • 2021 (A Origem do Negócio): Familiares de Toffoli (seus irmãos) vendem suas cotas no Tayayá Resort, um empreendimento de luxo no Paraná, para o Fundo Arleen. Este fundo era gerido por pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, incluindo seu cunhado, Fabiano Zettel.

  • Novembro de 2025: A PF deflagra a Operação Compliance Zero, prendendo Daniel Vorcaro e investigando um rombo bilionário no Banco Master. O caso chega ao STF e Dias Toffoli assume a relatoria.

  • Dezembro de 2025: Toffoli toma decisões polêmicas: decreta sigilo total no inquérito e manda a PF enviar todo o material apreendido (incluindo celulares) diretamente para seu gabinete, gerando atrito com os investigadores.

  • 11 de Fevereiro de 2026 (A Quebra do Sigilo): A PF consegue quebrar a criptografia do celular de Vorcaro. As mensagens revelam conversas diretas sobre pagamentos e menções ao ministro, sugerindo uma proximidade incompatível com a função de juiz do caso.

  • 12 de Fevereiro de 2026 (O Relatório): A PF cruza os dados bancários e descobre que a Maridt — empresa que tem Toffoli como sócio e um capital social declarado de apenas R$ 150,00 — recebeu créditos milionários do Fundo Arleen recentemente, entre 2024 e 2025.

O Outro Lado Em nota, Dias Toffoli confirmou ser sócio da Maridt, classificando-a como uma "empresa familiar", mas negou ter recebido valores indevidos ou ter qualquer relação de intimidade com Daniel Vorcaro. O ministro sustenta que os valores se referem a "direitos" remanescentes da venda do resort, embora não tenha explicado por que os pagamentos persistiram anos após a suposta saída do negócio.

Crise no STF Diante das evidências, a Polícia Federal formalizou um pedido de suspeição de Toffoli, argumentando que ele não tem isenção para julgar o caso. O pedido está agora na mesa do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que convocou uma reunião de emergência com os demais pares.