Tiro pela culatra? Flávio Bolsonaro pede apoio usando "todes", revolta eleitores e expõe racha na direita

Em meio a uma crise interna no PL envolvendo seu irmão Eduardo, a ex-primeira-dama Michelle e o deputado Nikolas Ferreira, o senador tentou apaziguar os ânimos nas redes, mas o uso da linguagem neutra enfureceu a base conservadora.

Tiro pela culatra? Flávio Bolsonaro pede apoio usando
Reprodução / Midia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) virou o centro de uma nova polêmica ao tentar apaziguar os ânimos da base aliada nas redes sociais nesta segunda-feira (23). Em meio a uma crise interna na direita visando a reorganização para as eleições de 2026, o parlamentar publicou uma mensagem pedindo união, mas a escolha das palavras gerou forte repúdio entre seus próprios eleitores.

O polêmico "todes" No X (antigo Twitter), Flávio pediu foco no pleito que se aproxima. "Tá todo mundo querendo vencer a discussão. Mas o que precisamos é ganhar a eleição! Gostaria de contar com todas, todos, todes, todys e todXs!", escreveu o senador.

Embora alguns analistas interpretem a postagem como uma ironia ou um movimento calculado para suavizar sua imagem e dialogar com eleitores de centro, a base conservadora, historicamente dura contra a linguagem neutra, não perdoou a atitude. Nos comentários da publicação, a reação foi imediata e negativa. "Usando pronome neutro? Perdeu meu voto", criticou um seguidor. Outro usuário questionou a postura do parlamentar: "Pronome neutro? Sério? Você que quer ser o novo líder da 'direita conservadora'?".

Crise e racha no clã A postagem do senador ocorre como pano de fundo de um verdadeiro "racha" interno. A tensão escalou rapidamente após o deputado federal Eduardo Bolsonaro criticar publicamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira. Em entrevista recente, Eduardo reclamou da falta de apoio explícito da dupla à campanha de Flávio, afirmando que Michelle e Nikolas compartilham conteúdos um do outro "toda hora", mas parecem sofrer de "amnésia" em relação ao irmão.

A declaração desencadeou reações imediatas na cúpula bolsonarista. Nikolas Ferreira rebateu as acusações, afirmando que Eduardo "não está bem" e pedindo para que deixem Michelle "viver o calvário dela". Até o vereador Carlos Bolsonaro entrou no circuito através de publicações enigmáticas, sugerindo que o ex-presidente Jair Bolsonaro (chamado por ele de "preso político") estaria sendo deixado isolado por antigos aliados.

No meio do fogo cruzado e da tentativa de estancar a crise, o aceno de Flávio utilizando o vocabulário neutro acabou gerando um desgaste inesperado exatamente onde ele não podia errar: na sua própria base.