O MUNDO OLHA PARA OS EMIRADOS: Rússia, Ucrânia e EUA iniciam hoje reunião histórica para negociar o fim da guerra
Pela primeira vez desde a invasão em 2022, delegações dos três países sentam à mesma mesa. Encontro foi articulado por Trump e ocorre após reuniões secretas em Moscou e Davos.
Por Redação Tribuna de Sergipe 23 de janeiro de 2026
O tabuleiro geopolítico global amanheceu focado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Nesta sexta-feira (23), ocorre a primeira reunião trilateral oficial entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia desde o início da guerra. O encontro, confirmado pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky durante o Fórum de Davos, marca a tentativa mais concreta de cessar-fogo após quatro anos de conflito sangrento no leste europeu.
Diferente das tentativas anteriores, onde intermediários levavam recados de um lado para o outro, fontes diplomáticas confirmam que desta vez as delegações estarão frente a frente. A rodada de negociações é descrita como "técnica e militar", focada em estabelecer zonas de segurança, mas carrega o peso de um possível acordo de paz desenhado pela nova administração americana.
A "Diplomacia Shuttle" de Trump
A reunião desta sexta-feira não é um evento isolado. Ela é o resultado de uma semana de diplomacia intensa e agressiva liderada por Washington:
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O Encontro em Davos: Na última quinta-feira (22), Donald Trump reuniu-se com Zelensky na Suíça. A mensagem foi clara: a guerra precisa acabar. Zelensky saiu da reunião afirmando que os documentos para o fim do conflito estão "quase prontos", mas cobrou que a Rússia também ceda.
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A Missão em Moscou: Enquanto Trump estava em Davos, seu enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, voou para Moscou para uma reunião a portas fechadas com Vladimir Putin. Foi neste encontro que o Kremlin deu o "sinal verde" para enviar seus negociadores aos Emirados Árabes.
O Que Está na Mesa? (O Plano de Paz)
Embora os detalhes sejam mantidos sob sigilo, vazamentos e análises de especialistas apontam para um plano de 28 pontos que estaria sendo discutido. Os tópicos mais polêmicos incluem:
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Congelamento das Linhas de Frente: A Rússia manteria o controle de fato (embora talvez não reconhecido legalmente de imediato pelo Ocidente) sobre a Crimeia e partes do Donbass.
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Neutralidade da Ucrânia: Kiev teria que emendar sua constituição para garantir que não entrará na OTAN, uma exigência histórica de Moscou.
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Zonas Desmilitarizadas: A criação de uma faixa de segurança monitorada por forças internacionais (possivelmente sem tropas da OTAN) ao longo da fronteira.
A Europa "Perdida"?
Em seu discurso em Davos, Zelensky não poupou críticas aos aliados europeus. O presidente ucraniano afirmou que a Europa parece "perdida" e incapaz de tomar a liderança na defesa do continente, dependendo mais uma vez dos Estados Unidos para resolver uma guerra em seu próprio quintal.
"Um ano se passou desde meu último discurso aqui e nada mudou na postura da Europa. Ainda estamos repetindo as mesmas palavras," desabafou Zelensky.
Análise: O Fim ou Apenas uma Pausa?
Para analistas ouvidos pela Tribuna de Sergipe, a reunião nos Emirados é um marco, mas o otimismo deve ser cauteloso. Putin chega à mesa fortalecido por avanços recentes no campo de batalha e pela fadiga ocidental. Zelensky, por sua vez, enfrenta pressão interna para não ceder território. O sucesso ou fracasso da reunião de hoje definirá se 2026 será o ano da paz ou apenas mais um capítulo de uma guerra de desgaste.











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