Banho de Água Fria: Flávio Bolsonaro frustra Faria Lima em primeiros encontros e dólar reage com alta

Tentativa de se vender como "versão moderada" do pai não convenceu grandes investidores em São Paulo. Falta de clareza sobre planos econômicos e ausência de um "novo Paulo Guedes" geraram desconfiança no mercado.

Banho de Água Fria: Flávio Bolsonaro frustra Faria Lima em primeiros encontros e dólar reage com alta
Reprodução / Bloomberg

A primeira rodada oficial de reuniões entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, e a elite do mercado financeiro de São Paulo (a "Faria Lima") terminou com um saldo negativo. Segundo reportagem da Bloomberg publicada nesta sexta-feira (13), o herdeiro político de Jair Bolsonaro falhou em passar credibilidade aos investidores, que classificaram suas propostas como "genéricas" e "pouco aprofundadas".

O Encontro Flávio desembarcou em São Paulo com a missão de desfazer a imagem de radicalismo e se apresentar como uma opção viável e fiscalmente responsável contra a reeleição de Lula. Em almoços com gestores de fundos e banqueiros, ele prometeu privatizar "95% das estatais" e realizar um "tesouraço" nos impostos. No entanto, quando pressionado sobre como faria isso, o senador evitou entrar em detalhes técnicos, o que frustrou a plateia.

Os Motivos da Desconfiança De acordo com fontes ouvidas nos bastidores, três pontos pesaram contra Flávio:

  1. Vagueza Fiscal: Ao ser questionado sobre a volta do Teto de Gastos ou uma nova âncora fiscal, Flávio deu respostas evasivas, dizendo apenas que "uma equipe está estudando". Para um mercado escaldado com o descontrole das contas públicas, a resposta foi insuficiente.

  2. Cadê o Ministro? Diferente de 2018, quando Jair Bolsonaro apresentou Paulo Guedes como fiador logo no início, Flávio se recusou a indicar quem seria seu Ministro da Fazenda. A ausência de um nome de peso (um "Posto Ipiranga") aumentou a insegurança sobre quem realmente comandaria a economia.

  3. A Sombra de Tarcísio: O mercado financeiro não esconde que seu candidato dos sonhos era o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com Tarcísio fora da disputa presidencial para tentar a reeleição em SP, os investidores veem Flávio como um "plano B" muito mais arriscado e ideológico.

Reação do Mercado O reflexo da frustração foi imediato. O dólar, que vinha operando com certa estabilidade, fechou a semana em alta, refletindo o aumento do "risco político". Analistas avaliam que, se Flávio não apresentar rapidamente um plano econômico robusto e um nome respeitado para a Fazenda, terá dificuldades para captar o apoio (e o financiamento) do PIB brasileiro.