MPF denuncia Rodrigo Manga, prefeito afastado de Sorocaba, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Investigação aponta esquema de desvio de verbas na Saúde através de contratos direcionados. Denúncia atinge também a esposa e a mãe do prefeito; procuradores pedem ressarcimento de R$ 7 milhões aos cofres públicos.

MPF denuncia Rodrigo Manga, prefeito afastado de Sorocaba, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa
Reprodução / Redes Sociais

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra Rodrigo Manga (Republicanos), prefeito afastado de Sorocaba (SP), acusando-o de liderar uma organização criminosa voltada para o desvio de recursos públicos da Saúde. A denúncia, revelada nesta semana, imputa ao político os crimes de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e contratação direta ilegal.

Além de Manga, outras 12 pessoas foram denunciadas, incluindo sua esposa, a primeira-dama Sirlange Frate Maganhato, e sua mãe, Zoraide Batista Maganhato. O grupo é acusado de utilizar contratos da prefeitura com organizações sociais (como o Iase) para drenar verbas municipais e federais.

O Esquema "Copia e Cola" A denúncia é desdobramento da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, o esquema funcionava através do direcionamento de licitações para empresas parceiras. Em um dos casos citados, um contrato emergencial teria sido firmado sem justificativa real, servindo apenas para facilitar o repasse de dinheiro ao grupo.

A PF aponta que Manga seria a "peça-chave" e principal beneficiário das fraudes. Para ocultar a origem ilícita do dinheiro, o grupo utilizava parentes e intermediários. Um dos denunciados, apontado como operador financeiro, teria recebido mais de R$ 6,5 milhões em depósitos fracionados de dinheiro vivo.

Pedidos do MPF Os procuradores pedem à Justiça Federal não apenas a condenação criminal dos envolvidos — o que pode levar à perda definitiva do cargo e inelegibilidade —, mas também a reparação financeira. O MPF solicita o pagamento de R$ 7 milhões a título de ressarcimento e indenização por danos morais coletivos à União e ao município de Sorocaba.

Outro Lado Rodrigo Manga está afastado do cargo desde novembro de 2025, por ordem do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). Em nota, a defesa do prefeito afirmou ter "absoluta confiança" de que ele e seus familiares não cometeram ilícitos e que a inocência será provada no curso do processo. O Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase), citado na denúncia, negou irregularidades e classificou as acusações como suposições.