Massacre no Irã: Regime admite 5 mil mortos e Khamenei culpa "agentes estrangeiros" por caos
Em admissão inédita, oficial iraniano confirma à Reuters que repressão aos protestos já deixou 5 mil mortos. Khamenei quebra silêncio e culpa EUA e Israel, enquanto Trump sinaliza novas sanções.
O dia em que Teerã confirmou o massacre: "Bala de verdade" contra a população
Por Redação Tribuna de Sergipe
O que organizações de direitos humanos temiam foi confirmado neste domingo (18) por fontes de dentro do próprio regime: a repressão aos protestos no Irã atingiu níveis de guerra civil. Um oficial do governo iraniano, falando sob condição de anonimato à agência de notícias Reuters, admitiu que o número de mortos nos confrontos que varrem o país desde o final de dezembro já ultrapassou a marca de 5.000 pessoas.
A admissão contrasta com a narrativa oficial da mídia estatal, que até então minimizava a violência. Segundo a fonte, o número inclui cerca de 500 membros das forças de segurança, dado usado pelo regime para justificar o uso de força letal e indiscriminada contra manifestantes desarmados.
De Crise Econômica a Revolta Popular
O levante, que começou timidamente em dezembro de 2025 motivado pela desvalorização histórica do Rial e pela hiperinflação, metamorfoseou-se rapidamente em um movimento político pedindo o fim da República Islâmica.
Relatos vindos de províncias como o Curdistão iraniano — onde os confrontos têm sido mais sangrentos — indicam que a Guarda Revolucionária recebeu "luz verde" para esmagar a dissidência a qualquer custo. O regime impôs um "apagão" quase total da internet, dificultando a saída de imagens, mas a admissão deste domingo confirma que o massacre ocorreu longe das câmeras.
A Resposta de Khamenei: "Insurreição Externa"
Quebrando um silêncio que durava dias, o Líder Supremo, Ali Khamenei, foi à televisão estatal para classificar os manifestantes como "traidores" e "agentes do caos". Mantendo a retórica histórica do regime, Khamenei não assumiu responsabilidade pela crise econômica, preferindo acusar diretamente potências estrangeiras.
"O inimigo está usando todas as suas ferramentas — dinheiro, armas e agentes de inteligência — para criar problemas para o sistema islâmico," declarou Khamenei, apontando dedos para os Estados Unidos e Israel como arquitetos da revolta.
Reação Internacional e o Fator Trump
A comunidade internacional reagiu com horror aos números revelados. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assumiu uma postura de "pressão máxima" contra Teerã, usou as redes sociais para alertar o regime.
Segundo analistas ouvidos pela Tribuna, a Casa Branca já prepara um novo pacote de sanções econômicas que visam estrangular totalmente a exportação de petróleo iraniano caso a violência não cesse imediatamente. Trump afirmou ter sido informado de que a situação é "crítica" e que os EUA estão monitorando a "matança" de perto.
O que esperar?
Com 5 mil mortos confirmados e mais de 20 mil detidos, o Irã entra em sua semana mais incerta desde a Revolução de 1979. A disposição do regime em admitir um número tão alto de vítimas pode sinalizar duas coisas: uma tentativa de intimidar a população pelo medo ou um sinal de que a estrutura de poder em Teerã está começando a rachar sob pressão interna.
A Tribuna de Sergipe segue acompanhando o desenrolar desta crise humanitária.











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