Em votação relâmpago, Câmara aprova "super-salários" e fura teto; Kim Kataguiri é o único da direita a enfrentar o "acordão"
Aprovação simbólica garantiu aumento bilionário para elite do Legislativo, incluindo gratificações de 100% e "folga indenizada". Enquanto bancadas da direita se calaram, Kim Kataguiri (União-SP) subiu à tribuna isolado para denunciar a hipocrisia e a "covardia" dos colegas: "Postura vexatória".
Na tarde desta terça-feira (03), a Câmara dos Deputados protagonizou mais um episódio que distancia o parlamento da realidade brasileira. Em uma votação "simbólica" — manobra regimental onde não há registro nominal de votos e aprovada por acordo de lideranças —, os deputados deram aval a um pacote de reajustes e criação de novos privilégios para servidores da Câmara e do Senado.
O "Trem da Alegria" de R$ 1 Bilhão Os projetos aprovados reestruturam as carreiras do Legislativo com um impacto financeiro estimado em R$ 1 bilhão. Entre as medidas, está a incorporação de gratificações que fazem o salário base de um analista saltar de R$ 5,7 mil para R$ 14 mil logo no início da carreira. Além disso, foi criada a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), que pode adicionar mais 100% sobre o vencimento básico.
O Escândalo da "Folga Vendida" O ponto mais crítico do texto é a institucionalização de um "penduricalho" conhecido como Licença Compensatória. Na prática, funciona assim: servidores em cargos de chefia ou que acumulem funções ganharão dias de folga extras (1 dia para cada 3 trabalhados). O escândalo reside no fato de que essa folga pode ser indenizada — ou seja, trocada por dinheiro. Juridicamente, verbas indenizatórias não contam para o teto constitucional (hoje em R$ 46 mil). Isso permite que servidores do Congresso recebam salários muito acima do limite máximo permitido por lei, criando uma casta de super-funcionários públicos.
A Exceção: Kim Kataguiri contra a "Direita Fake" O que causou revolta não foi apenas o conteúdo, mas a forma. Partidos que historicamente se posicionam à direita e com discurso de austeridade (como PL e Republicanos) não utilizaram a obstrução para barrar a pauta.
A única voz a quebrar o silêncio do "acordão" foi o deputado Kim Kataguiri (União-SP). Enquanto os colegas aceitavam a votação simbólica, Kim subiu à tribuna para expor a hipocrisia do plenário.
"Me entristece ver parlamentares que se dizem de direita votando a favor de projeto de super salário... Eu entenderia se fosse acordo do Centrão com a Esquerda, mas quem se diz de direita votando a favor de aumento para quem já está entre o 1% mais rico da população? Isso é vergonhoso!", disparou o deputado.
"Covardes" Visivelmente indignado, Kim classificou a postura da Casa como "vexatória" e denunciou a falta de coragem dos parlamentares em registrar o voto digitalmente. "Essa Câmara deveria ter tido a coragem de barrar. Não teve porque essa Câmara, infelizmente, em boa parte foi composta por covardes... É uma postura de quem não tem fibra moral", afirmou.
O parlamentar tentou manter seu requerimento de votação nominal para obrigar os deputados a mostrarem a cara, mas foi vencido pela maioria. A aprovação, conduzida pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), sela o primeiro grande gasto do ano legislativo, com a digital — ou o silêncio — de quase toda a Câmara, exceto pela resistência isolada de Kataguiri.











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