A Queda da Blindagem e a Ascensão da "Antítese": Cronologia completa de como André Mendonça assumiu o maior inquérito financeiro do país

Sorteio eletrônico define ministro indicado por Bolsonaro como novo relator após saída de Toffoli. Considerado técnico e independente da "ala punitivista" do STF, Mendonça recebe sinal verde da Polícia Federal, que promete entregar provas detalhadas sobre a "caixa-preta" do banco.

A Queda da Blindagem e a Ascensão da
Reprodução / STF

Por Redação Tribuna de Sergipe 13 de fevereiro de 2026 | Atualizado há instantes

O dia 13 de fevereiro de 2026 entrará para a história do Judiciário brasileiro como o momento de uma ruptura. O sistema eletrônico do Supremo Tribunal Federal (STF) definiu, por sorteio, que o ministro André Mendonça será o novo relator do inquérito que investiga as fraudes bilionárias do Banco Master.

A escolha de Mendonça — indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e visto como a "antítese" da ala punitivista liderada por Alexandre de Moraes — não é apenas uma troca de nomes. É uma mudança de regime na condução de um processo que, até ontem, estava trancado a sete chaves.

Para entender como chegamos até aqui e o que muda a partir de agora, o Tribuna de Sergipe preparou uma linha do tempo detalhada, revelando os bastidores da queda de Dias Toffoli e a ascensão do novo relator que agora tem a "caixa-preta" do sistema financeiro em suas mãos.


FASE 1: O Bloqueio (Novembro de 2025 – Fevereiro de 2026)

Tudo começou com a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um rombo estimado em R$ 17 bilhões no Banco Master, envolvendo emissão de títulos podres e lavagem de dinheiro.

O caso caiu, inicialmente, nas mãos do ministro Dias Toffoli. Desde o início, a postura do relator causou estranheza entre os delegados da PF:

  • Sigilo Absoluto: Toffoli impôs um sigilo draconiano aos autos, impedindo que até mesmo órgãos de controle tivessem acesso integral.

  • Freio de Mão: Medidas cautelares pedidas pelos investigadores, como quebras de sigilo de figuras políticas ligadas ao banco, eram sistematicamente represadas ou negadas.

  • Centralização: O ministro ordenou que todo o material apreendido (celulares e computadores) fosse remetido ao seu gabinete, tirando a autonomia da primeira instância.

Nos bastidores, a PF suspeitava de uma "blindagem institucional". O banco parecia intocável.


FASE 2: A Bomba da PF (12 de Fevereiro de 2026 – Manhã)

O cenário mudou drasticamente na manhã de quinta-feira (12). A Polícia Federal, utilizando softwares de última geração, conseguiu quebrar a criptografia do iPhone de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Ao cruzar os dados bancários e as mensagens do aparelho, os peritos encontraram o elo que faltava:

  1. A empresa Maridt, da qual Dias Toffoli é sócio, recebeu repasses de mais de R$ 20 milhões de um fundo ligado ao banco.

  2. Os pagamentos ocorreram após 2024, período em que Toffoli já atuava em processos de interesse do banco, derrubando a tese de que seriam negócios antigos de família.

O relatório de inteligência foi enviado imediatamente à Presidência do STF. A situação do relator tornou-se insustentável.


FASE 3: A Queda e a Reunião Secreta (12 de Fevereiro de 2026 – Tarde/Noite)

Com o relatório da PF em mãos, o STF viveu horas de pânico. Uma reunião a portas fechadas foi convocada. O medo da Corte não era apenas jurídico, mas de imagem: manter Toffoli no caso seria desmoralizar o tribunal perante a opinião pública.

  • A Saída "Honrosa": Para evitar um processo de impeachment ou uma arguição de suspeição no Plenário (o que seria humilhante), os ministros convenceram Toffoli a "pedir para sair".

  • A Nota Oficial: O STF emitiu uma nota afirmando "inexistência de suspeição", tentando proteger o colega, mas aceitou seu pedido de afastamento por "razões institucionais".

Toffoli estava fora. O caminho estava livre para um novo juiz.


FASE 4: O Sorteio e a "Antítese" (13 de Fevereiro de 2026)

Com a vacância da relatoria, o regimento interno do STF determinou um novo sorteio eletrônico entre os demais ministros (excluindo o presidente e o próprio Toffoli). A "roleta" do algoritmo parou no nome de André Mendonça.

A escolha caiu como uma bomba no meio jurídico e político, mas foi comemorada pela Polícia Federal. Por quê?

1. O Perfil Técnico e Independente Mendonça é classificado por analistas como a "antítese" de Alexandre de Moraes. Enquanto Moraes e Gilmar Mendes costumam adotar inquéritos expansivos e políticos, Mendonça segue uma linha "garantista técnica".

  • Exemplo: No julgamento dos réus do 8 de Janeiro, Mendonça foi um dos poucos a ter coragem de votar contra a maioria, absolvendo réus de crimes de "golpe de Estado" quando não havia prova individualizada de violência, mostrando que não cede à pressão do grupo dominante.

2. Sem "Rabo Preso" Indicado por Jair Bolsonaro, Mendonça não faz parte do núcleo histórico do STF que mantinha relações próximas com a elite financeira tradicional de Brasília. Para a PF, isso significa um juiz que não deve favores e que não terá medo de autorizar operações contra poderosos.


FASE 5: O Futuro e o "Dossiê de Guerra" (O que acontece agora)

A troca de relatoria destravou imediatamente as investigações. Segundo apuração exclusiva de bastidores, a reação da Polícia Federal foi imediata:

A Entrega das Provas Delegados da Operação Compliance Zero preparam, para as próximas horas, a entrega de um "dossiê detalhado" ao gabinete de André Mendonça. Este material contém tudo o que estava represado:

  • A íntegra das conversas de WhatsApp de Daniel Vorcaro.

  • Mapeamento de transferências internacionais (offshores).

  • Nomes de políticos com foro privilegiado citados nas negociações.

A Expectativa de Quebras de Sigilo A PF acredita que Mendonça, ao contrário de Toffoli, dará "sinal verde" para o compartilhamento dessas provas. A expectativa é que ele autorize:

  1. O envio do material para a CPI do INSS e a CPI da Manipulação de Resultados no Congresso.

  2. Novas fases da operação, agora mirando o núcleo político que protegia o banco.

Conclusão O caso Banco Master deixou de ser um inquérito "controlado" para se tornar uma bomba-relógio imprevisível. Com André Mendonça no comando e a Polícia Federal armada com terabytes de provas, a blindagem que protegia o esquema bilionário parece ter chegado ao fim.

Restar saber: quem mais cairá quando a caixa-preta for finalmente aberta?