O "Raio-X" que assusta Brasília: Programador cruza 79 bases de dados do governo para rastrear corrupção por CPF
Sistema detecta funcionários fantasmas e desvios de emendas em segundos. Após o sucesso do teste, o criador temeu pela própria vida, mas agora promete blindar a ferramenta juridicamente e liberar o código para o público.
A tecnologia acaba de colocar um alvo nas costas de maus gestores públicos. Um programador brasileiro, identificado nas redes sociais como Bruno César (@brunoclz), desenvolveu uma ferramenta capaz de detectar supostos casos de corrupção cruzando informações de 79 bases de dados públicas do país. O sistema utiliza apenas o CPF do político para rastrear todo o caminho do dinheiro público.
Como funciona a "malha fina" cidadã O sistema idealizado por Bruno conecta de forma automatizada plataformas como o Portal da Transparência, Receita Federal, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunal de Contas da União (TCU) e Banco Central.
Nos testes divulgados pelo desenvolvedor em sua conta no X (antigo Twitter), a inteligência da ferramenta impressiona. Em um dos exemplos, o painel cruza os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) com a folha de pagamento municipal e aponta um alerta "Crítico": 34 funcionários fantasmas que geravam um rombo de R$ 2,4 milhões por ano. A ferramenta também identificou o "auto-direcionamento de emendas" (R$ 47 milhões) e verbas destinadas a uma "escola fantasma".
"Não tô querendo ir de vala" O poder da ferramenta assustou o próprio criador. Ao perceber o nível das irregularidades que tinha nas mãos, Bruno desabafou: "Construí um negócio e não sei o que fazer com isso, não tô querendo ir de vala" (expressão popular para "morrer").
Apesar do medo de retaliações por parte de políticos poderosos, o programador decidiu seguir em frente com uma abordagem estratégica. Para evitar processos judiciais imediatos, ele informou que está ajustando a plataforma. "Estou modificando detalhes (...) a lógica de risco, para gerar um score % em vez de palavras como 'corrupção, suspeito, etc'.".
Após a revisão por advogados, a promessa é disponibilizar o projeto como open-source (código aberto), permitindo que qualquer cidadão ou jornalista utilize a ferramenta.
A Tecnologia contra o Sistema Bruno César define sua iniciativa como parte do movimento "br/acc" (um braço do effective accelerationism), que defende que a tecnologia deve resolver o que as instituições estatais não conseguem ou não querem resolver.
Deixando claro que não há viés partidário no rastreio do dinheiro público, ele mandou um recado aos críticos: "Transparência, dados abertos, ferramentas cívicas. Feito por quem cansou de esperar. (...) Pau que bate em Chico bate em Francisco. Independente da sua ideologia".











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